Os cães Scooby e Preta conseguiram um novo lar após 15 dias morando na rua. Os animais ficaram abandonados após o dono deles, o papeleiro Carlos Miguel dos Santos, 45, morrer queimado no barraco onde vivia no bairro Pio 10, em Caxias do Sul (RS).
O novo "pai" dos animais é o padre Renato Antônio Ariotti, 51, da Igreja Santa Catarina, na mesma cidade. Ele disse que se interessou em ficar com os cães após ouvir um anúncio no rádio sobre a doação dos animais. "Quando soube que os cachorros eram dele [Santos], meu coração pediu para que eu adotasse os bichinhos. Eu que fiz o enterro dele e fiquei chocado com a morte trágica de um homem tão bom quanto ele", disse.
A mulher que criou a campanha de adoção dos cães, a auxiliar administrativa Silvana Regina Grassi, 46, os conhecia há bastante tempo. "Todos os dias o Santos passava pela minha rua com os cachorros. Eu dava comida e água porque eles porque sempre estavam com fome", disse.
Grassi falou que decidiu buscar ajuda para os cães após perceber que eles estavam abandonados e que continuavam dormindo ao lado da carroça usada de Santos. Como conhecia os cachorros e o dono, ela se sentiu responsável pelos animais.



Cães de papeleiro morto queimado por quatro adolescentes são adotados pelo padre Renato Ariotti, 51, no RS
Cães de papeleiro morto queimado por quatro adolescentes são adotados pelo padre Renato Ariotti, 51, no RS


Antes de adotar os cães, o padre Ariotti fez apenas um pedido para Grassi. "Eu pedi o carrinho que ele [Santos] usava para carregar as reciclagens que vendia. Isso porque os cães buscam nela um refúgio para a saudade que sentiam do dono porque ainda percebem a presença dele", afirmou.
O religioso disse que os cães aparentavam tristeza quando chegaram à casa dele, mas quando viram o carrinho usado pelo ex-dono, melhoraram. "Eles ficaram muito felizes com a carrocinha, não paravam de abanar o rabo e correr em volta. A Preta está mais solta, até dorme na casinha que a gente fez para eles, mas o Scooby não sai do cantinho com papelão embaixo do carrinho, ele parece se sentir mais protegido lá."
Segundo ele, uma veterinária se propôs a dar todas as vacinas e cuidados necessários aos cães, sem cobrar. O padre diz que a vida dele mudou com a chegada dos animais e vai cuidar da vida deles como se fosse a dele.
O CRIME
Segundo a polícia, o barraco onde Santos morava foi incendiado por quatro menores de idades entre 11 e 15 anos. Eles disseram que a vítima devia R$ 2 a eles e queriam dar um susto no papeleiro para que ele fizesse o pagamento. Em depoimento, os adolescentes confirmaram ter comprado gasolina para atear fogo no barraco onde o homem morava enquanto ele dormia.
Testemunhas dissera que uma semana antes de Santos ser queimado, os mesmos adolescentes suspeitos de ter cometido o crime apedrejaram o homem na casa dele. Eles eram usuários de drogas e passaram a perseguí-lo.
Santos não tinha o dinheiro que eles pediam e passou a sentir medo dos garotos após ter sido apedrejado junto com um de seus cães, o Scooby. O crime ocorreu durante o feriado local da Semana da Farroupilha.
A polícia disse que Santos não teve chance de reação. O homem foi socorrido por vizinhos, que disseram ter visto o ele correr pela rua com o corpo em chamas pedindo ajuda. O fogo foi apagado com a ajuda de um extintor. O homem teve queimaduras em 85% do corpo.